Um bordado de paetê, brilha no escuro.


Se os meus sonhos são linhas que bordam as minhas vontades, irei bordar, então, um longo véu, que me cobrirá por todo o meu tempo em que os meus passos se firmam.

Parada em frente ao manequim que tem vida, o visto. Com cada pedaço de tecido, cada retalho.

Olharei em seus olhos opacos e o vestirei com esmero. O levarei para dançar ao luar e deixarei, que naquele momento, ele viva o melhor que há em mim.

Vestido de esperança, trajado de fantasias. Sorriremos um ao outro e deitaremos juntos, na mesma caixa.

Uma caixinha de sapato, onde guardo os meus brinquedos. Apenas os quebrados.

Prometo a você, não te esquecerei.

Manequim feito de pedaços meus.

Somos feitos para durar uma eternidade.

Enquanto a última nota toca, da caixinha de música, suspiramos em silêncio, em pensamento.

Dançaremos nos braços um do outro, rodando para sempre.

Fechei a tampa.

A linha e as miçangas acabaram.


4 respostas para “Um bordado de paetê, brilha no escuro.”

  1. Mariana, você tem um verdadeiro tesouro!! Eu não tenho nenhum brinquedo de infância, sempre doei tudo e hoje não sobrou nada de recordação. Fico feliz por você ter guardado ♥️🫂 beijos!

  2. Lembrou a minha caixinha de bordados e miçangas… fui até ver se tinha sua poesia dentro e não é que estava lá, junto com a cabeça quebrada de alguma boneca?

      • eu tenho sapatinhos de alguma Barbie que encontrei pelo caminhos. Facas e garfos minúsculos que vieram num armário de cozinha também minúsculo. Panelinhas minúsculas que achei na rua e muitas coisas – não vou repetir minúsculas – pequenas que são meus tesouros. Além de pedrinhas, folhas e muito mais. Beijo

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Ester Lima

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo

Descubra mais sobre Ester Lima

Quer receber os próximos textos? Deixe seu e-mail e eles chegam direto na sua caixa de entrada

Continuar lendo