Uma forma de amar que não cabe em palavras pra expressar.

Tempo de leitura 2 min

Me peguei olhando no espelho. Da cama eu te via deitado. Espreguiçou e sorriu. Não foi pra mim, eu sei. Me deu uma vontade de te puxar pra perto, abraçar bem gostoso e sentir teu cheiro distinto, mesmo sendo o cheiro de sempre, café preto.
Noventa por cento de mim é você, e nas outras dez eu me perco. Parece até que você é meu Yang. 
Olha como estou gorda, devia dá um jeito de entrar na academia. 
– Bom dia – Você sorri, meio sorriso, meio amargo, meio doce, meio dormindo e meio acordado. 
– Já é tarde. 
– Quem disse?
– O relógio, o sol, o dia. 
– Mas eu quero que você tenha um bom dia, independente das horas. 
– Hum. – Ele riu alto, sempre queria está no comando. Eu, por mais que minta, omita e finjo não gostar eu gosto. Eu amo. 
– Um abraço num pobre homem que ama essa mulher gostosa! – Ele me abraça, mas não desses abraços frouxos, meio de lado, meio parado. Um abraço forte, desses que aperta o pulmão, cutuca o fígado e parece sentir o coração. 
– Sabe porque eu gosto de você? Não, por que eu gosto muito muito muito muuito de você? 
– Hum? 
– Eu não sei! Não faço a mínima ideia, mas quando eu te vejo sorrir, é um soco no estômago, que parece acordar lagartas em metamorfose e voar até, aqui embaixo, você sabe.. – Ele ri alto me soltando. 
– Ah, cala a boca! – Eu sorrio, sorrio porque o amo. 
– Você está cada dia mais gostosa. 
– Estou gorda. 
– Está gostosa, pra mim é assim que tem que ser, você. 
– Vou vomitar, você anda um chato! – Antes de entrar no banheiro ele corre até mim e me joga na cama. Será possível alguém explodir? Será possível um amor maior? Me libertei, desabafei tudo o que senti e o que sinto. 
– Eu te amo. 
– O que? 
– Não vou dizer duas vezes. Meus atos expressam mais que palavras. – Ele se levanta novamente e antes de finalmente entrar no banheiro ele vira pra trás – Anota isso, mas antes passa minha roupa. E estou com fome. Café com creme e anda logo. 
Nem tudo é perfeito, mas o perfeito é ser do jeito que é. 
Me olho novamente no espelho, estou gorda. O ar cheira a café.

 

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Não é que eu ame café, mas eu amo o cheiro, a lembrança, a segurança e a forma como você o bebe.


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