Olhava para os lábios dela e deseja um beijo. Como alguém podia ser tão delicada? Passou a mão em seu próprio cabelo desejando o toque dela.
Oh, como ela era um monstro, como ela podia a amar.
– Manu? – A voz delicada. – Gostou da minha florzinha ? – A menina de pele avermelhada, quase Índia. Sorriu. Beijou a flor e soprou para o alto.
Como uns lábios desses, redondos, carnudos, podiam ser tão sensuais e românticos. Podiam pertencer a este rosto de olhos miúdos e arredondados.
Tossiu dissipando os pensamentos malignos.
– Desculpa Hortênsia, estou distraída. Odeio ficar pensando tanto. – Ela riu alto, que doce risada.
– Como você é hipócrita, vive distraída pensando.
– Mentira. – Ficou com as faces vermelhas. Como podia gostar de outra assim? Tinha nojo de si mesma, seu peito batia facadas. Inútil, imunda.
E pensar que o inferno estava cheio delas, cheio de garotas como ela. Ela, Manu, tão popular entre os garotos se apaixonar justo por outra, e logo a Hortênsia, a Índia mestiça tão bonita. Toda por fora, toda por dentro.
Ah, tinha que morrer. Manu não podia viver. O inferno que a aguarde com seus desejos carnais.

