As penas caíram, cada passo era mais um perto da morte.
As cordas bambas me amarravam o corpo todo.
Me solte, me solte.
As penas voaram, mas não eram pássaros.
Eu me soltei em uma mão, cortei meus pulsos.
As penas grudaram no que era minha poça.
Meu sangue está em suas mãos.
Sangue inocente, vai, me liberte.
Me usou, me mostrou para milhões de gente.
A corda está solta, a joguei no chão.
Tento esconder meu corpo nu com vergonha, humilhação.
Os telespectadores se satisfazem com meu pudor.
Cade o decoro?
Cadê?
Morreu hoje mais uma criança inocente.
Pensa você que olha minhas penas voando que o vento leva longe.
Pensa que alguém terá ação.
Pensa nisso até que mais penas voem, cheias de sangue vermelho.
Sangue das veias de minhas mãos.
Me solte, pulei em cordas bambas, as câmeras ligadas.
Fui morta em rede privada, num mar imenso de imundices.
Fui morta.
Estou morta.
Meus pulsos abertos.
Penas voando em todas direções.

2 respostas para “Anjos sem nomes mortos de fome na miséria de doentes insanos.”
Huuummm…
Hum?