Já vêm sendo uns dias que eu venho nadando no meu próprio desespero. Com a cabeça acima d’água eu olho as ondas e tento não me afogar.
Hoje me afoguei. Sem fôlego, com o coração apertado, disparado, sem resguardo, me perdi.
Então, dois comprimidos de droga eu ingeri. Dormi, dormi. Até o coração se acalmar.
Agora, acordei. Olhando acima das ondas do mar, ainda vejo: é tudo desespero.
Sozinha, desacalentada. Eu juro que tento, mas não adianta. Continuo fugindo entre braçadas às ondas.
Eu juro que grito, mas não há recurso, meu desespero é muito profundo.
Há dias que venho tentando uma nova bóia salva-vidas, veio em forma de comprimidinhos pequenininhos rosinhas, inofensivos.
Me parece tudo enganação. Eu tomo diligentemente e ainda aqui, acima das ondas, em alto mar, a deriva, olhando ao céu, tão longe, tão perto. Tempestuosa vida.
Lá longe, bem lá longe deve haver uma praia. Não há vejo. Há tempos que não. E juro, te juro! Estou usando óculos de mais alto grau. As ondas me engole, engulo as águas e bebo do ar. Um respiro, um suspiro.
Que ironia, perdida em meu próprio mar. Desde sempre, no meu próprio desespero.
