Lembranças.


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Covardia é tentar não admitir, mas é coragem lembrar.

– Eu ainda lembro de você – sussurrei baixinho. – tento esquecer ou me enganar com mentiras, mas é vivida a imagem do teu sorriso escancarado, ou dos teus olhos estreitos.
– Eu ainda lembro-me de você – Dos beijos, abraços quentes, da pele amorenada, lembrando a canela, minha morena. Das caretas. Até das lágrimas. Mas se foi com o tempo, como uma pena velha se desmanchou em minhas mãos. Eu se lembrar de você não irá trazer de volta aquilo que se foi. Saiba apenas, eu ainda lembro-me de você.
Lembro-me do cheiro exótico, poderia me lembrar aqui e agora. Fui covarde o suficiente para não jogar suas coisas foras, estão todas guardadas aqui dentro.
Eu sei, deveria ter queimado, mas ás vezes, raridade, eu me pego olhando e sorrindo. Deveria tentar outra vez, mas também sou covarde ou orgulhoso de mais para lembrar. Queria tanto… Melhor esquecer, ironia é que será algo impossível, ninguém esquece a primeira, é mentiroso quem afirma. Sempre vou me lembrar do teu cheiro, sempre serei covarde de mais para jogar tuas fotos fora, e covarde de mais para olhá-las, estão todas guardadas, escondidas. Sempre me lembrarei de você.
Se encrustou no meu peito e apertou num aconchego, mas não é bom, é saudade e saudade trás solidão, mesmo que agora minhas palavras de amor sejam para outra, ela nunca será você, e me vejo a olhando e a comparando contigo, até mesmo a pele amorenada, até mesmo a covinha disfarçada, até mesmo os olhos estreitos, até mesmo nossa intimidade, até mesmo… Covarde de mais e orgulhoso de mais, não sei. Talvez os dois, tanto faz, sei que sempre irei sofrer e olhar para a outra tentando te esquecer. 


3 respostas para “Lembranças.”

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